30 de julho de 2007

Sabias palavras de Boris Casoy

Boris Casoy - Folha de S. Paulo - 28/03/06


Jamais o Brasil assistiu a tamanho descalabro de um governo. Quem se der ao trabalho de esmiuçar a história do país certamente constatará que nada semelhante avia ocorrido até a gestão do atual ocupante do Palácio do Planalto. Há, desde o tempo do Brasil Colônia, um sem
número de episódios graves de corrupção e de incompetência. Mas o nível alcançado pelo governo Lula é insuperável. Não se trata de um ou de alguns focos de corrupção. Vai muito além.

Exibe notável desprezo pelas liberdades e pela democracia. Manipula a máquina administrativa a seu bel-prazer, de modo a colocar o Estado a favor de sua inesgotável sanha de poder. Um exemplo mais recente é a ação grotesca contra um simples caseiro, transformado em investigado por dizer a verdade depois de ser submetido a uma ação de provocar náuseas em qualquer stalinista.

Não se investiga o ministro Palocci, acusado de freqüentar um bunker destinado a operar negócios escusos em Brasília e de ter mentido a respeito ao Congresso. Tenta-se, a qualquer preço, desqualificar a testemunha para encobrir o óbvio. E o desespero da empreitada conduziu a uma canhestra operação que agora o governo pretende encobrir, inclusive intimidando o caseiro.

Do presidente da República, sob a escusa pueril de dever muito a Palocci (talvez pela conquista do troféu dos juros mais altos do mundo e pelo crescimento ridículo do PIB),só se ouve a defesa pífia dos que não conseguem dissimular a culpa. A única providência das autoridades federais foi um simulacro de investigação, com a cumplicidade da Caixa Econômica Federal. Todos os limites foram ultrapassados; não há como o Congresso postergar um processo de impeachment contra Lula, ou melhor, a favor do Brasil.

O argumento para não afastar Lula, de que sua gestão vive os últimos meses, é um auto engano! A proximidade das eleições faz com que o governo use e abuse ainda mais do poder. Desde o início, este governo é envolvido na compra de consciências, na lubrificação da alma de órgãos de comunicação por meio de gigantescas verbas publicitárias e de perseguir os que lhe negam aplauso.

Outro argumento usado para não afastar Luiz Inácio Lula da Silva é a sua biografia, a saga do trabalhador, do sindicalista que chegou a presidente. Ora, aquele metalúrgico já não existe há muito tempo. Sua legenda enferrujou. Foi tragado por sua verdadeira figura, submetido a uma metamorfose às avessas.

As razões legais para o processo de impeachment gritam no artigo 85 da Constituição, que versa sobre os crimes de responsabilidade do presidente. Basta ler os seguintes motivos constantes da Carta Magna para que o Congresso promova o processo de impeachment de Lula: atentar contra o livre exercício do Poder Legislativo, contra o livre exercício dos direitos individuais ou contra a probidade da administração.

Seguem alguns exemplos ilustrativos:

- No "mensalão", fato que Lula tentou transformar em um pecadilho cultural da política brasileira, reside um grave atentado contra o livre funcionamento do Congresso. A compra de consciências não só interferiu na vida do Poder Legislativo como também demonstrou a disposição petista de romper a barreira entre a democracia e o autoritarismo, utilizando a máxima de que os fins justificam os meios.

- Jamais as instituições bancárias estatais foram tão agredidas. O Banco do Brasil teve seu dinheiro colocado a serviço de interesse escusos; a Caixa Econômica Federal também, demonstrando que o sigilo bancário de seus depositantes foi posto à mercê da pilantragem
política.

- No escândalo dos Correios, mais que corrupção, foi posto a nu, além do assalto aos cofres públicos, um cuidadosamente urdido esquema de satrapias destinado a alimentar as ecessidades pecuniárias de participantes da mesma viagem. Como costuma acontecer nesses casos, o escândalo veio à tona na divisão do botim.

- Causa perplexidade, também, a maneira cínica com que o governo tenta se defender, usando todos os truques jurídicos para criar uma carapaça que evite investigações de suspeitas gravíssimas em torno do presidente do Sebrae, o generoso Paulo Okamotto, pródigo em cobrir
gastos do amigo Lula - sem que ele saiba. Aliás, ele nunca sabe de nada!!!

- Lula passará à história, além de tudo, como alguém que procurou amordaçar a imprensa com a tentativa da criação de um orwelliano "conselho" nacional de jornalismo e com uma legislação para o audiovisual, que tentou calar o Ministério Público pela Lei da Mordaça e que protagonizou uma pueril tentativa de expulsar do país um correspondente estrangeiro que lhe havia agredido a honra.

Neste momento grave, o Congresso Nacional não pode abdicar de suas responsabilidades,sob o perigo de passar à história como cúmplice do comprometimento irreversível do futuro do país. As determinantes legais invocadas para o processo de impeachment encontram, todas elas,
respaldo nos fatos.

Mas, infelizmente, na Constituição brasileira falta uma razão que bem melhor poderia resumir o que estamos assistindo: Lula seria o primeiro presidente a sofrer impeachment não apenas pela prática de crimes de responsabilidade, mas também pelo ímpar conjunto de sua obra.

Veja e ouça as sabias palavras de Alexandre Garcia

Até a Venus Platinada depende de que o povo esteja vivo, minimamente alimentado e com algum dinheiro no bolso para que seu negocio funcione. Se não acredita, veja o que, intencionalmente ou não, permitiu que saísse ao ar...

http://www.youtube.com/watch?v=tlOjTQs4nTA

Sejamos criticos mas não perdamos a auto-estima...

recebido por mail em agosto de 2006
Autor: desconhecido

"Os brasileiros acham que o mundo todo presta, menos o Brasil. E realmente parece que é um vício falar mal do Brasil. Todo lugar tem seus pontos positivos enegativos, mas no exterior eles maximizam ospositivos, enquanto no Brasil se maximizam osnegativos.

Aqui na Holanda, os resultados das eleições demoramhorrores porque não há nada utomatizado. Só existeuma companhia telefônica e (pasmem!) se você ligar reclamando do serviço, corre o risco de ter seu telefone temporariamente desconectado.

Nos Estados Unidos e na Europa, ninguém tem o hábitode enrolar o sanduíche em um guardanapo ou de lavar asmãos antes de comer. Nas padarias, feiras e açougues europeus, os atendentes recebem o dinheiro e com mesma mão suja entregam o pão ou a carne. Em Londres, existe um lugar famosíssimo que vendebatatas fritas enroladas em folhas de jornal e temfila na porta.

Na Europa, não-fumante é minoria. Se pedir mesa de não-fumante, o garçom ri na sua cara, porque não existe. Fumam até em elevador. Em Paris, os garçons são conhecidos por seu mauhumor e grosseria e qualquer garçom de botequim no Brasil podia ir pra lá dar aulas de "Como conquistar o Cliente".

Você sabe como as grandes potências fazem paradestruir um povo? Impõem suas crenças e cultura. Se você parar para observar, em todo filme dos EUA a Bandeira Nacional aparece, e geralmente na hora em que estamos emotivos. Temos uma língua que, apesar de não se parecer quase nada com a língua portuguesa, é chamada de língua portuguesa, enquanto que as empresas de softwarea chamam de português brasileiro, porque não conseguem se comunicar com os seus usuários brasileiros atravésda língua Portuguesa.

Somos vítimas de vários crimesc ontra nossa pátria, crenças, cultura, língua etc... Os brasileiros mais esclarecidos sabem que temosmuitas razões para resgatar nossas raízes culturais.

Os dados são da Antropos Consulting:

1. O Brasil é o país que tem tido maior sucesso nocombate à AIDS e de outras doenças sexualmente transmissíveis, e vem sendo exemplo mundial.

2. O Brasil é o único país do hemisfério sul que estáparticipando do Projeto Genoma.

3. Numa pesquisa envolvendo 50 cidades de diversos países, a cidade do Rio de Janeiro foi considerada amais solidária.

4. Nas eleições de 2000, o sistema do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) estava informatizado em todasas regiões do Brasil, com resultados em menos de 24horas depois do início das apurações. O modelo chamou aatenção de uma das maiores potências mundiais: osEstados Unidos, onde a apuração dos votos teve que ser refeita várias vezes, atrasando o resultado e colocandoem xeque a credibilidade do processo.

5. Mesmo sendo um país em desenvolvimento, os Internautas brasileiros representam uma fatia de 40% do mercado naAmérica Latina.

6. No Brasil, temos 14 fábricas de veículos instaladase outras 4 se instalando, enquanto alguns países vizinhos não possuem nenhuma.

7. Das crianças e adolescentes entre 7 e 14 anos, 97,3%estão estudando.

8. O mercado de telefones celulares do Brasil é o segundo do mundo, com 650 mil novas habilitações acada mês.

9. Na telefonia fixa, nosso país ocupa a quinta posição em número de linhas instaladas.

10. Das empresas brasileiras, 6.89% Possuem certificadode qualidade ISSO 9000, maior número entre os paísesem desenvolvimento. No México, são apenas 300 empresas e265 na Argentina.

11. O Brasil é o segundo maior mercado de jatos ehelicópteros executivos.

Por que temos esse vício de só falar mal do nosso Brasil?

1. Por que não nos orgulhamos em dizer que nossomercado editorial de livros é maior do que o da Itália,com mais de 50 mil títulos novos a cada ano?

2. Que temos o mais moderno sistema bancáriodo planeta?

3. Que nossas agências de publicidade ganham os melhores e maiores prêmios mundiais?

4. Por que não falamos que somos o país maisempreendedor do mundo e que mais de 70% dosbrasileiros, pobres e ricos, dedicam considerável partede seu tempo em trabalhos voluntários?

5. Por que não dizemos que somos hoje a terceiramaior democracia do mundo?

6. Que apesar de todas as mazelas, o Congresso está punindo seus próprios membros, o que raramente ocorre em outros países ditos civilizados?

7. Por que não nos lembramos que o povo brasileiro éum povo hospitaleiro que se esforça para falar alíngua dos turistas, gesticula e não mede esforços paraatendê-los bem?

8. Por que não nos orgulhamos de ser um povo que faz piada das próprias adversidades e que enfrenta os desgostos sorrindo e com esperanca.

É! O Brasil é um país abençoado de fato.Deus diz na sua palavra "Bendita a nacão cujo Deus é o SENHOR"hoje temos no nosso Brasil, a felicidade de saber que o nosso povo está com sede de Deus. Bendito este povo, que tem o poder de unirtodas as raças e culturas. Bendito este povo, que sabe entender todos os sotaques. Bendito este povo, que oferece todos os tipos de climas para contentar toda gente. Bendita seja, querida pátria chamada Brasil!

(Comentario: ufanismos, messianismos e dados pouco comprováveis aparte, este mail traz uma reflexão correta: não devemos ser maniaco-depressivos bipolares. Temos coisas boas e ruins no Brasil. Talvez seja o momento de fazer com que as boas prevaleçam sobre as ruins...)

Semelhanças impressionantes

Recebido por mail em agosto de 2006
Autor: desconhecido

Diamantina, interior de Minas, 1914.
O jovem Juscelino Kubitschek, de 12 anos, ganha seu primeiro par de sapato. Passou fome.
Jurou estudar e ser alguém. Com inúmeras dificuldades, concluiu Medicina e se especializou em Paris. Como presidente, modernizou o Brasil. Legou um rol impressionante de obras; humilde e obstinado, era e ainda é querido por todos até hoje.

Brasília, 2003.
Lula assume a presidência. Arrogante, se vangloria de não ter estudado. Acha bobagem falar inglês. "Tenho diploma da vida", afirma. E para ele basta. Meses depois, diz que ler é um hábito chato. Quando era sindicalista, percebeu que poderia ganhar sem estudar, e sem trabalhar, sua meta até hoje, ao que parece. Exemplo para estudantes e trabalhadores...

Londres, 1940.
Os bombardeios são diários, e uma invasão aeronaval nazista é iminente. O primeiro-ministro W. Churchill pede ao rei George VI que vá para o Canadá. Tranqüilo, o rei avisa que não vai. Churchill insiste: então que, ao menos, vá a rainha com as filhas. Elas não aceitam e a filha mais velha entra no exército britânico; como tenente-enfermeira, sua função é recolher feridos em meio aos bombardeios. Hoje ela é a rainha Elizabeth II.

Brasília, 2005.
A primeira-dama Marisa Letícia requer cidadania italiana - e consegue. Explica, ingenuamente, que quer "um futuro melhor para seus filhos...".

Washington, 1974.
A imprensa americana descobre que o presidente Richard Nixon está envolvido até o pescoço no caso Watergate. Ele nega, mas jornais e Congresso o encostam contra a parede, e ele acaba confessando. Renuncia nesse mesmo ano, pedindo desculpas ao povo.

Brasília, 2005.
Flagrado no maior escândalo de corrupção da história do País, e tentando disfarçar o desvio de dinheiro público em caixa 2, Lula é instado a se explicar. Ante as muitas provas, Lula repete o "eu não sabia de nada!", e ainda acusa a imprensa de persegui-lo, posando como vítima. Disse que foi "traído...", mas não conta por quem.

Londres, 2001.
O filho mais velho do primeiro-ministro Tony Blair é detido, embriagado, pela polícia. Sem saber quem ele é, avisam que vão ligar para seu pai buscá-lo. Com medo de envolver o pai num escândalo, o adolescente dá um nome falso. A polícia descobre e chama Blair, que vai sozinho à delegacia buscar o filho, numa madrugada chuvosa. Pediu desculpas ao povo pelos erros do filho.

Brasília, 2005.
O filho mais velho de Lula, o Fábio Luis Lula da Silva, é descoberto recebendo R$ 5 milhões de uma empresa financiada com dinheiro público. Alega que recebeu a fortuna vendendo sua empresa Gamecorp, de fundo de quintal, que não valia nem um décimo disso. O pai, raivoso, o defende e diz que não admite que envolvam seu filhinho mimado nessa "sujeira". Qual sujeira?

Nova Délhi, 2003.
O primeiro-ministro indiano pretende comprar um avião novo para suas viagens. Adquire um excelente, brasileiríssimo EMB 195, da Embraer, por US$ 10 milhões.

Brasília, 2003.
Lula quer um avião novo para a presidência. Fabricado no Brasil não serve. Gasta
US$ 57 milhões e manda decorar a aeronave de luxo nos EUA.

Sabias palavras anarquistas

Do anarquista russo do século 19, Mikhail Bakunin (1814-1876):

"Assim, sob qualquer ângulo que se esteja situado para considerar esta questão, chega-se ao mesmo resultado execrável: o governo da imensa maioria das massas populares se faz por uma minoria privilegiada. Esta minoria, porém, dizem os marxistas, compor-se-á de operários. Sim, com certeza, de antigos operários, mas que, tão logo se tornem governantes ou representantes do povo, cessarão de ser operários e pôr-se-ão a observar o mundo proletário de cima do Estado; não mais representarão o povo, mas a si mesmos e suas pretensões de governá-lo. Quem duvida disso, não conhece a natureza humana."

Skidmore comentado

Comentarios à Revista Amanhã- Edição 217 -Janeiro/Fevereiro de 2006 - Entrevista ao brasilianista Thomas Skidmore:

Genial a lucidez deste Skidmore. É interessante a capacidade de análise que a isenção da distancia dá. O diagnóstico dele é, na minha opinião, muito acertado. Só faltou agregar que Lula, por inocente ou por conivente, abriu espaço para um projeto político arraigadamente corrupto. Políticos de origens burguesas podem financiar-se da corrupção privada e entregar em troca atos e contratos de governo. o PT, antagônico à maioria do empresariado, teve que mamar desbragadamente e diretamente nas tetas dos governos, primeiro municipais e depois federal, para lutar "de igual para igual" com as demais forcas políticas. Atos inocentes como receber jipes importados demonstram a imaturidade da maquina de corrupção do PT. São todos igualmente podres, mas o PT fez um grande favor ao Brasil. Escrachou a corrupção aos olhos de todos, fez com que os eleitores brasileiros reflitam sobre o real peso de seus votos, e sobre a grande pergunta: Se o PT é o primeiro governo do povo, isso quer dizer somos todos iguais?

Agora a oposição tem uma tarefa muito delicada: lidar com este novo paradigma do nível de tolerância do povo à corrupção, e ao mesmo tempo bater no governo PT na medida certa. Se bater demais, cai o governo e será trágico para o Brasil. Se bater de menos, lula se reelege extremamente fraco e só, e será ainda mais trágico para o Brasil viver outros 4 anos das orgias de "novos -corruptos" e oportunistas. Lula queimou todos seus cartuchos e alguns mais no primeiro mandato. Serão 4 anos de desgoverno e loucura que podem nem chegar no final.

A oposição vai ter que atuar de forma muito precisa: fazê-lo chegar moribundo ao fim do ano, mas sem morrer. Espero que sejam capazes para o bem de todos, inclusive do próprio Lula, que se transformou num prisioneiro do navio que aparentemente capitaneou. Na realidade é só um boneco de palha amarrado ao leme. Mas os chacais que realmente levavam o barco estão morrendo todos, por doentes, por devorar-se entre eles. E Lula está lá, só em um barco-fantasma à deriva.

Sorte aos passageiros, todos nos.

Thomas Skidmore

Entrevista do brasilianista Thomas Skidmore à Revista Amanhã - Edição 217 - Janeiro/Fevereiro de 2006

O brasilianista Thomas Skidmore compara o presidente Lula a Jânio Quadros e Collor
("eram todos loucos") e garante: só uma profunda reforma política será capaz de livrar o país das maluquices das urnas

Por Marcos Graciani

Já se vão 37 anos desde que Thomas Skidmore começou a estudar o Brasil. Natural de Ohio, nos Estados Unidos, Skidmore migrou para o calor do Rio de Janeiro no início dos anos 60 e, logo depois do golpe militar, lançou seu primeiro livro: Politics in Brazil 1930-1964: An Experiment in Democracy. A obra se tornou um clássico entre os "brasilianistas" - como são conhecidos os estrangeiros que estudam o Brasil. Hoje, aos 73 anos, ele dirige o Centro de Estudos Latino-Americanos da Universidade de Brown, nas proximidades de Boston. Se o conhecimento acumulado na carreira foi suficiente para entender o país? "Só às vezes", responde ele, rindo. "Aí o Brasil elege um louco e não se entende mais nada", arremata nesta entrevista concedida a AMANHÃ.

Revista Amanhã - Na posição de quem já estudou exaustivamente a história político-econômica do Brasil, suas crises e seus presidentes, como o senhor avalia o desempenho do presidente Lula?

Thomas Skidmore - Eu acho que na comparação com os outros presidentes, Lula é uma tragédia. Ele deixou a impressão de que a corrupção penetra em todas as instâncias do governo. Simplesmente abalou a legitimidade do Planalto perante o público. É uma pena. Lula começou com muitas idéias boas e com muito apoio popular. Mas sua base de governo acabou buscando o caminho errado para comandar a selva do Congresso: a propina. Talvez ele ache que isso tenha sido feito por todos os presidentes, e é bem possível que esteja certo. O problema é que coisas como o "mensalão" vieram à tona na gestão dele, e não nas anteriores.

RA - A corrupção é uma parte indissociável da política brasileira?

TS - É difícil de dizer. Por definição, a corrupção ocorre em segredo. Você não pode chegar para um deputado e simplesmente perguntar o quanto ele recebe de propina. Há apenas uma especulação. Particularmente, acho que sempre houve corrupção em todas as democracias, sim. E também em todos os sistemas autoritários. Os analistas, muitas vezes, tentam falar em percentuais de políticos corruptos. Falam em 10%, 20%... No caso do PT, a questão da corrupção foi com o Congresso. E isso é interessante: não foi só com empresários ou homens de negócios, tal como na era de Juscelino Kubitschek.

RA - Como assim? O que ocorria no tempo de JK?

TS - Era o tipo de gatunagem típica entre o setor público e privado. "Ah, você vai me apoiar na política? Então vou te arrumar um serviço no governo federal depois." Isso foi muito comum naquela época. Muitas pessoas ganharam lugar no governo por influência de políticos e apadrinhados. E isso, ainda hoje, é comum em todos os governos. Mas é impossível medir o tamanho - depende das confabulações e dos contextos. No caso de Lula, porém, a reação à descoberta do problema foi muito pior. Ele se dizia uma virgem, e uma virgem que peca sempre causa mais polêmica do que um pecador.No ano passado, dizendo-se incompreendido, Lula se comparou a Getúlio Vargas, JK e Jango. Em que pontos a situação de Lula pode ser comparada à desses presidentes?Não vejo nenhuma comparação. Vargas, por exemplo, nunca perdeu o sentido de seu trabalho. Pelo contrário, estava sempre no controle. Juscelino Kubitschek também foi um político de muita desenvoltura, apesar dos pesares. Podemos é comparar Lula com Collor, pelo menos no que diz respeito à loucura. Collor era um louco. No governo, viveu uma fantasia, perdeu o controle e também tentou negar a realidade. Outro louco foi o Jânio Quadros. Ao longo da gestão, ele perdeu o senso de direção. Nem mesmo um psiquiatra seria capaz de explicar os acontecimentos que marcaram o fim do governo Jânio e o esfacelamento de sua capacidade de liderança. No caso do Lula, portanto, eu prefiriria compará-lo a Collor e Jânio Quadros. O resto não tem comparação.

RA - Não parece injusto comparar a situação de Lula com a de Collor? Afinal, Collor teve seu impeachment pedido em coro nacional...

TS - O caso de Lula, na verdade, é ainda mais complicado do que o de Collor e Jânio. Lula é um coitado. Está desnorteado, não entende o ambiente onde se meteu. Ele é ingênuo. Os outros pelo menos sabiam o que estava acontecendo.

RA - Analisando o Brasil desde a restauração da democracia, em que ponto o senhor diria que o sistema eleitoral falhou?

TS - Depois desse escândalo do governo do PT, eu diria que o sistema presidencial como um todo se mostrou inviável para o Brasil. O país deveria repensar seu sistema político desde os fundamentos. Nada menos do que quatro presidentes brasileiros foram destituídos no período democrático: Getúlio Vargas, Jango, Jânio e depois Collor. E agora temos o Lula, que não chegou a ser destituído, mas que praticamente perdeu a capacidade de governar. Isso mostra que há algo errado no sistema presidencial brasileiro. Talvez a solução seja o Parlamentarismo, não sei. Mas é necessário repensar o sistema brasileiro pela base, pois ele não está funcionando bem.

RA - O senhor já disse que o Brasil deveria resgatar os ideais de desenvolvimento dos anos 60 - um período em que as eleições foram deixadas de lado. Na sua opinião, o país esgotou as chances de eleger democraticamente um presidente capaz de garantir um crescimento como o daquela época?

TS - A grande questão é que o eleitor brasileiro ainda dá chance a "salvadores da pátria". Seria preciso um exército de anjos para que isso desse certo. Espero que o Brasil esteja imunizado contra salvadores da pátria, apesar do momento difícil pelo qual passa. O que o país mais precisa é de um homem majoritário que tenha a capacidade de ser um líder."O presidencialismo não serve para o Brasil: nada menos que quatro presidentes foram destituídos. Lula ainda não foi, mas já perdeu a capacidade de governar"

RA - Na sua visão, Lula tem condições de ser esse homem numa eventual reeleição?

TS - Não. Lula ficou anestesiado ante a crise. Perdeu o controle das emoções, e até defendeu a mãe em seus discursos. Esse negócio de defender a mãe é um sinal típico do político que não sabe o que fazer. Eu acho que o Lula ficou desnorteado em Brasília. Ele fica lá, rodeado de conselheiros e, quando pode, se distrai com a idéia de viajar, de receber presidentes de outros países. Ele não tem a tranqüilidade de um político experiente nesses protocolos. Infelizmente, parece que o Lula não teve a capacidade de manter o balanço mental em uma situação que o deixava confuso. Na minha opinião, o Brasil está assistindo, praticamente,à desintegração de um homem.

Cartas de Brasilia

Ai, ai, ai...

Jueves, 13 de Noviembre de 2003
De: Cnobre
Para: AS

Li isso e não pude deixar de te mandar. É o editorial do Estado de hoje e reforça o que escrevi antes. A semente plantada pelo trabalho do qual você participou tem que estar germinando:

"Assim como se disse do discurso em que defendeu a integração militar da América do Sul, pode-se dizer do desabafo do ministro da Casa Civil, José Dirceu, sobre a sua cansativa luta contra as deficiências da máquina estatal, que mistura coisas verdadeiras com outras nem tanto.

De um lado, a constatação de que o governo tem burocracia demais e eficiência de menos, o que exige "trabalhar cada vez mais para reformar o Estado". De outro, a frase: "Precisamos lembrar como encontramos a administração pública do Brasil." A afirmação é duplamente contestável. Primeiro, porque sugere ter sido um descalabro a gestão do governo anterior. Isso é falso. Embora a modernização do aparelho federal tenha ficado aquém do que pretendia o presidente Fernando Henrique – até em razão das resistências corporativas estimuladas pelo PT –, ele não só tinha uma visão do problema mais avançada do que a do seu sucessor, como ainda lhe entregou um Estado menos arcaico do que recebera. Segundo, porque, qualquer que fosse a situação que o novo governo encontrou, quase sempre conseguiu piorá-la, antes de mais nada devido à sua obsessão em reinventar a roda.

O corpanzil burocrático tornou-se ainda mais volumoso, com a proliferação de ministérios e secretarias inventados para mostrar "vontade política" de resolver problemas e, sobretudo, acomodar companheiros malsucedidos nas urnas. Diversos destes se revelaram tão incompetentes para administrar os seus setores quanto haviam sido para conquistar o eleitor. Com atribuições não raro redundantes, resultado inevitável da hipertrofia do corpo burocrático, ficaram batendo cabeça e tentando passar rasteiras uns nos outros. Além de transformar o Executivo em um espécime pesado em excesso para se mover e trapalhão em excesso para achar o bom caminho, os recém-chegados promoveram o maior entra- e-sai nos níveis superiores e médios do aparato federal pelo menos desde o fim do regime militar, em 1985. Foi a apoteose do aparelhamento – a premiação daqueles cuja credencial mais luzidia é a carteirinha partidária, com o afastamento de administradores capacitados e experientes em navegar pela burocracia.

No Brasil nunca faltaram governos marcados pelo nepotismo – hoje mesmo, o do Paraná de Roberto Requião é um escândalo. Já a marca do governo Lula é a do "nepetismo", a distribuição da massa disponível de cargos de confiança entre os quadros do PT e das siglas aliadas, com as conseqüências que se viu, por exemplo, no desfiguramento do outrora modelar Instituto Nacional do Câncer, no Rio de Janeiro.

Outra característica que deve contribuir para o cansaço do ministro Dirceu é a baixa qualidade do processo decisório. O verdadeiro parto que foi o projeto sobre os transgênicos enviado semanas atrás ao Congresso e os graves defeitos congênitos do texto enfim dado à luz são apenas um tropeço entre muitos de um governo que lida mal com as próprias pernas. Mesmo quando um ministro ou o presidente identificam corretamente um problema a resolver, a forma de fazê-lo lembra muitas vezes a proverbial emenda pior que o soneto. Nesse sentido, a suspensão da aposentadoria aos jubilados com mais de 90 anos, enquanto não se recadastrassem, é um caso de manual. O Ministério da Previdência sabe que paga benefícios a pessoas já falecidas e quer acabar com essa fraude. Pois bem. De todas as formas concebíveis de enfrentar a questão, adotou a mais primitiva, com o típico vezo autoritário dos poderosos de turno de não parar para pensar no que o seu imaginário ovo de Colombo representaria para as pessoas de carne e osso.

O presidente Lula acaba de fazer a sua parte nessa seqüência de equívocos. O Congresso havia aprovado – com parecer favorável do Ministério da Educação – o repasse de recursos do Fundo para o Desenvolvimento e Manutenção do Ensino Fundamental (Fundef) para instituições de ensino sem fins lucrativos que acolham alunos portadores de deficiência. Isso contraria pela base a emenda constitucional que criou o Fundef, exclusivo para a rede pública. Pois bem. Por não ter oferecido outra alternativa durante a tramitação da matéria, só restou ao presidente vetar a lei. Mas o fez de supetão – o ato caiu no Legislativo como um raio em céu azul – e, o que é pior, sob o antipático argumento de que a iniciativa comprometeria o ajuste fiscal. Até parlamentares do PT reagiram com indignação. Armada a encrenca, só então o presidente se lembrou de cobrar do ministro da Educação uma fórmula para os alunos excepcionais. O governo Lula precisa de uma urgente revisão."

Refelxões sombrias.

21 de septiembre de 2006

Os últimos acontecimentos políticos envolvendo o PT com (mais) uma falcatrua me deixa algumas sensações claras:

1 – O Brasil está tendo a excelente oportunidade de se desenvolver e de aprender com os muitos erros cometidos num ato tão simples e importante como votar. Não acho que o PT seja pior do que muitos outros partidos. Simplesmente estava, e felizmente já não está, vestido com trajes de virgem imaculada, e isso foi suficiente para uma parcela importante do povo brasileiro. Faltou escola, arroz e feijão para perceber que era só um partido mais. Agora, felizmente, está ficando claro para cada vez mais gente que o PT não é mais do que é: uma agrupação que vendeu a alma ao diabo, teve que entregar, e agora está vazio de conteúdo, de idéias, de propostas. Passou a ser só uma casca vazia, onde se escondem as criaturas mas escabrosas, que vão se dedicar a fazer o que sabem melhor.

2 – Dias piores virão. O PT já era como organização política. Perdeu o rumo, o caráter e a compostura. Lamentavelmente tudo indica que o carisma pessoas de um só homem no partido vai ser suficiente para levá-lo ao Planalto por mais 4 anos. E o que vai acontecer então? Com quem vão se aliar? Qual vai ser sua base parlamentar? Provavelmente os mesmos anões, mensaleiros e sanguessugas de sempre. E aí o que vai acontecer? Mais do mesmo, mais falcatruas, mais roubalheiras, e nenhum passo adiante. Como aprovar uma reforma política que poderia diminuir a promiscuidade parlamentar, reduzir o numero de partidos e melhorar sua representatividade num congresso desses? Não vai haver estímulo ou vergonha na cara que bastem. E em 4 anos mais, quem sabe, vamos estar como em 1994. Se tivermos sorte.

3 – Dias piores virão II – Para conseguir seu propósito “reeleitoral”, a presidência lançou o seu “pacote de bondades” sem olhar para o saldo no banco. Afinal, o Brasil é um país rico. Tão rico como a Argentina quando deixou de pagar sua dívida externa. Agora, lançou um orçamento 2007 que é uma obra de ficção, e que, com a capacidade administrativa desse governo, não vai se cumprir. Vamos terminar 2007 com um rombo gigante nas contas publicas, o superávit primário vai se transformar numa mochila excessivamente pesada para carregar, e as tentações serão fortes. E em 4 anos mais, quem sabe, vamos estar como em 1994. Se tivermos sorte.

4 – Dias Piores virão III – Talvez o pior legado de la era Lula para o Brasil não seja a desordem generalizada que vai deixar na coisa pública, nem os rombos orçamentários, nem perder a oportunidade de crescer num panorama internacional excepcional. Para mim, o mais doloroso é ver a legitimação da malandragem, da falta de caráter e da patifaria. O PT urdiu um esquema eficiente de neutralização de entidades de classe que faz com que tudo pareça normal. Que ninguém está indignado. E o povo dos grotões do Brasil, que recebem a migalha mensal que não lhes ensina nada, vê o que ocorre, vê a nula reação coletiva, e começa a assimilar a mensagem: Para que estudar? Para que seguir o caminho correto e quase sempre mais duro? Para que ser honesto? Onde esto os caras pintadas? Um país está perdendo seu caráter, e isso e muito, muito grave. Choro pelo futuro desse país.

5 – E por quê? – Quando olhamos para esta palhaçada chamada governo, e para o público que, entre pasmo e ignorante nada faz, poderíamos perguntar-nos como chegamos a este ponto? Para mim, a resposta está clara: o PT cresceu no vácuo da oposição. Se a oposição fosse realmente melhor que o PT, não seria oposição. Na favela não tem policia nem governo e o tráfico ocupa seu espaço. Nas cadeias não tem policia nem governo e as facções criminosas ocupam seu espaço. Não são sintomas isolados, são pequenos fragmentos de uma realidade bem mais abrangente. Por décadas classes dirigentes pouco preparadas e com princípios questionáveis geraram o caldo de cultivo para que a semente do PT germinasse sem maiores questionamentos. Miséria, falta de escola, falta de perspectivas, falta de respeito transformaram uma enorme massa de brasileiros em votos que valem uma cesta básica mensal. O Brasil é muito, muito mais rico que isso, e o que sobra da conta das cestas básicas pode ser repartido entre os poucos habitantes dos palácios, públicos e privados.

Das cinzas a Fênix renascerá – Talvez...

Talvez o senso de autopreservação das classes “formadoras de opinião” seja suficientemente desenvolvido para perceber que é necessário, imprescindível, repartir um pouco melhor a torta, para diminuir o espaço de manobra de populistas e pelegos. É uma questão de sobrevivência para estas classes. Não se trata de vender seu automóvel popular para andar de ônibus. O buraco pode estar (muito) mais para cima do que as classes assalariadas, independentemente do tamanho do salário.

Talvez dê tempo de impedir que uma estrutura política corrupta e bem organizada surja no vazio do planalto, arraigando-se por lá, novos Chavez tropicais. Talvez não.

Sabias Palavras...

21 de seotiembre de 2006

"Um mar de lama escorre debaixo da porta dele, entra, ele pisa e pensa que é chocolate. Se ele é idiota, não pode ser presidente. E, se não é idiota, também não pode ser presidente".

Cesar Maia - 20 de setembro de 2006